Minha Trajetória…

Comecei no mundo corporativo aos 14 anos e, ao longo de 35 anos, construí uma carreira sólida em empresas de pequeno, médio e grande porte — nacionais, multinacionais e também em projetos de consultoria. Logo cedo desenvolvi e aprimorei competências como organização, disciplina e a compreensão profunda do que significam metas, processos, rotinas, hierarquias, liderança, gestão de pessoas, concorrência e share de mercado.
Durante essa jornada, tive a oportunidade de conhecer e contribuir com as mais diversas culturas organizacionais, vivenciando de perto Missão, Visão e Valor nas especificidades de cada uma delas.
Mas, algo me impactou profundamente nessa trajetória. Independentemente de todos os investimentos financeiros (em tecnologia, equipamentos ou estrutura): o que realmente faz a diferença são as pessoas. Seu comprometimento, suas competências, suas habilidades, o trabalho em equipe e, acima de tudo, sua proatividade, sua motivação para superar as adversidades que surgem — sejam elas internas ou provocadas pelas próprias mudanças do mercado.
Acredito: são as pessoas que fazem a grande diferença em qualquer organização.
Posso afirmar que contribuí de forma significativa para os resultados positivos alcançados em cada uma dessas empresas. Contudo, é necessário registrar que jamais teria performado de maneira tão relevante sem a contribuição de dois grupos fundamentais. O primeiro: cada profissional que fez parte das minhas equipes — nos setores, departamentos e unidades que liderei. O segundo: meus mentores, profissionais generosos que compartilharam conhecimentos, competências e experiências de suas próprias trajetórias. A todos eles, minha mais profunda gratidão.
O despertar para o Propósito
Durante essa caminhada, tive o privilégio de liderar grandes equipes, conduzir transformações e caminhar ao lado de pessoas extraordinárias. Mas, em meio a conquistas e entregas, algo me acompanhava em silêncio — uma inquietação que eu carregava sem conseguir nomear: por que, mesmo em organizações que diziam valorizar gente, tantas pessoas sofriam sem serem vistas?
Vi talentos brilhantes travados por inseguranças que ninguém sabia acolher. Líderes tecnicamente preparados perdendo equipes inteiras por não terem aprendido a ouvir. Profissionais competentes estagnados por medos, crenças limitantes e cargas emocionais (dores) que carregavam sozinhos. E eu, no meio disso tudo, via — e muitas vezes sentia junto — que o sistema não estava desenhado para cuidar de verdade. As organizações cobravam resultados, mas raramente ofereciam o que as pessoas precisavam para chegar até eles: escuta, desenvolvimento integral, espaço para o ser humano.
Batíamos metas. Entregávamos números. E os indicadores-chave de desempenho (KPIs) pareciam medir tudo — menos o que realmente importava.

Foi então que mergulhei em um período sabático de autoconhecimento, aprimoramento pessoal e autorreflexão sobre o meu propósito de vida. Uma jornada que durou cinco anos — e que transformou completamente minha direção.
O período sabático não me trouxe uma ideia nova. Trouxe clareza sobre o que sempre esteve diante de mim: meu propósito sempre esteve nas pessoas. Não em gerenciá-las, mas em ajudá-las a se desenvolverem de verdade — por inteiro.
Uma nova Jornada de Aprendizado
Desde então, tenho me dedicado com rigor e paixão a uma nova jornada de formação. Investi e continuo investindo em especializações voltadas ao desenvolvimento humano, tendo como pilar central a Psicanálise — ferramenta poderosa para compreender as camadas mais profundas do comportamento, das emoções e das relações humanas. Uma escolha consciente, para que minha atuação não se apoiasse apenas na experiência vivida, mas também no conhecimento estruturado que me permite acolher, com responsabilidade e competência técnica, as complexas demandas que atravessam as pessoas — dentro e fora do mundo corporativo.

O Legado que se constrói todos os dias

Hoje, após 15 anos atuando nesta Área de Desenvolvimento Humano, olho para trás e vejo consolidado o que sempre sonhei construir: pessoas que recuperaram não apenas a performance profissional, mas a confiança em si mesmas, ressignificado o sentido da Vida. Profissionais que voltaram a crescer — e, com eles, seus casamentos, suas famílias, sua saúde, sua paz.
Esse é o verdadeiro sentido do meu trabalho: quando alguém me diz que voltou a dormir bem, a se relacionar melhor, a acreditar de novo, com perspectiva de um futuro melhor e também conquistando seus propósitos nas diversas áreas de suas vidas.
Sei que ainda há muito a aprender, muito a refinar, muito a aprofundar — e essa busca por evolução constante é o que me mantém vivo. Mas, acima de tudo, me sinto realizado.

Portanto, vivenciando tudo isso, percebo que na verdade não foi uma transição de carreira. Foi o alinhamento final entre quem eu sou e o que vim fazer nesta existência que muitos chamam de vida.
Minha gratidão a todos que de alguma forma contribuem para que tudo isso continue acontecendo…